Polícia diz ter 'série de indícios' de ligação de vereador com o CV e que 'maiores detalhes serão apurados'
Polícia prende 7 em operação contra o Comando Vermelho O delegado Vinicius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado do Departamento de Co...
Polícia prende 7 em operação contra o Comando Vermelho O delegado Vinicius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, afirmou que a prisão temporária do vereador carioca Salvino Oliveira (PSD) foi solicitada após a polícia encontrar uma "série de indícios" de ligação dele com o Comando Vermelho. Sem citar as provas, o delegado afirmou que "maiores detalhes serão apurados na investigação". "Esses indícios foram apresentados na Justiça, que entendeu que havia prisão temporária para que se buscasse até mais elementos, mais provas, para que se entendesse melhor qual seria a participação exata dele dentro da facção", disse Miranda. Miranda explicou ainda que novos detalhes devem surgir a partir das buscas realizadas nesta quarta-feira (11), incluindo a análise de documentos e do celular apreendido. De acordo com ele, o material pode ajudar a estabelecer de forma mais precisa a relação do vereador com a organização investigada. Nas redes sociais, o governador Cláudio Castro afirmou que Salvino é o "braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio". O vereador negou todas as acusações (veja o que ele disse abaixo nesta reportagem). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A operação A entrevista coletiva foi dada para falar sobre a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada nesta quarta-feira (11) contra a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). Agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) saíram para cumprir, no total, 13 mandados de prisão. Até a última atualização desta reportagem, 7 pessoas haviam sido presas, e 4 alvos já estavam encarcerados. Entre os presos nesta quarta estão 6 PMs e o vereador. Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Márcio Gama dos Santos Nepomucemo, o Marcinho VP, e mãe de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, é considerada foragida. Outro procurado era Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP. As acusações contra Salvino O vereador carioca Salvino Oliveira (PSD) Reprodução/TV Globo No pedido de prisão, a Polícia Civil afirma ter identificado “tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico”, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. Segundo a corporação, as investigações indicam que o vereador Salvino Oliveira teria buscado autorização do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, área dominada pelo Comando Vermelho. “Segundo os elementos reunidos pela investigação, o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho”, afirmou a polícia no pedido de prisão. Entre as provas apresentadas está a imagem de uma conversa no WhatsApp que mostraria um diálogo entre um comparsa conhecido como Dom e Doca. No documento, no entanto, não há registro de conversa direta entre Salvino e o traficante. Na mensagem, Dom escreve a Doca: "Chefe, acabou de me ligar o Landerson, sobrinho da Tia Márcia, falando que o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é para eu dar suporte e ajudar nos projetos dele. Procede?" Conversa interceptada e usada como prova contra Salvino no pedido de prisão Reprodução/TV Globo Logo depois da troca de mensagens, Doca liga para Dom, e os dois permanecem ao telefone por mais de 11 minutos. Segundo a polícia, Dom atuava como elo entre o núcleo operacional do Comando Vermelho e agentes externos, incluindo policiais. Dom foi executado em maio de 2025 e a principal suspeita é de queima de arquivo. O g1 apurou que a polícia acredita que a própria facção esteja por trás do crime. Quiosques em contrapartida, segundo a investigação De acordo com a investigação, em troca da autorização para entrar na comunidade, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas para moradores da região. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que Salvino se comunicava com o comando da facção por meio de Dom, que era conhecido como “síndico” da associação local. Segundo Curi, o parlamentar teria atuado para liberar parte dos quiosques construídos na Gardênia Azul. “Foram construídos alguns quiosques, cerca de 100, se não me engano, e metade desses quiosques, 50 desses quiosques, teve um processo completamente publicizado”, disse o secretário. De acordo com as investigações, a definição de parte dos beneficiários teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente. O que diz Salvino Salvino negou qualquer ligação com o traficante Doca, afirmou não ter envolvimento com a instalação de quiosques na Gardênia Azul e disse não conhecer o sobrinho do traficante Marcinho VP. “Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, declarou. PMs presos em operação contra o CV forjaram apreensão de drogas após acordo com chefe da facção, diz investigação O papel da família de VP A polícia afirma que Marcinho VP “continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção” mesmo após quase 3 décadas no sistema prisional. As investigações indicam que VP é um dos integrantes do “conselho federal permanente” do CV. A delegacia especializada afirma que Márcia Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, “participando da circulação de informações e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos”. Landerson, sobrinho do chefão, segundo a polícia, “exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços e imóveis”. Quem é Salvino Salvino Oliveira tem 29 anos e nasceu na Cidade de Deus. Quando era criança vendeu balas e água em ônibus para reforçar o orçamento da família. Aos 7 anos, entrou no Colégio Pedro II por meio de um sorteio. Além de ambulante, foi garçom e ajudante de pedreiro. Formou-se em Gestão Pública pela UFRJ. Em 2021, foi escolhido como secretário municipal especial da Juventude pela gestão de Eduardo Paes. Tinha 22 anos. Foi eleito vereador pelo PSD com mais de 27 mil votos. Está no primeiro mandato. O projeto mais conhecido do vereador é o de regulação do aluguel por temporada na cidade, que procura definir regras para o setor e discute a necessidade de compartilhamento de informações pelas empresas do setor de hospedagem. Vereador Salvino Oliveira (PSD) Reprodução/ Rio TV Câmara Nota da Câmara de Vereadores do Rio "A Câmara do Rio acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários. O Legislativo municipal reafirma sua confiança no trabalho das instituições e no devido processo legal."