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Tadalafila é vendida ilegalmente na noite do Rio, e uso como pré-treino também preocupa médicos; veja flagrantes na Lapa

Aumento do consumo de Tadalafila sem prescrição preocupa médicos O RJ1 flagrou a venda avulsa de comprimidos de Tadalafila nas ruas do Rio de Janeiro. O medi...

Tadalafila é vendida ilegalmente na noite do Rio, e uso como pré-treino também preocupa médicos; veja flagrantes na Lapa
Tadalafila é vendida ilegalmente na noite do Rio, e uso como pré-treino também preocupa médicos; veja flagrantes na Lapa (Foto: Reprodução)

Aumento do consumo de Tadalafila sem prescrição preocupa médicos O RJ1 flagrou a venda avulsa de comprimidos de Tadalafila nas ruas do Rio de Janeiro. O medicamento, de uso controlado, é indicado para tratar disfunção erétil, mas vem sendo oferecido livremente em pontos boêmios da cidade, como a Lapa (veja acima). Médicos também alertaram para o uso do “tadala” como pré-treino em academias – o que não tem eficácia comprovada e é feito sem prescrição. Ambulantes da Lapa comercializam comprimidos abertamente, muitas vezes ao lado de bebidas e cigarros. Em alguns casos, os comprimidos são vendidos de forma avulsa, retirados de caixas já abertas. Abordados pela equipe de reportagem, vendedores confirmaram a prática e negociaram preços sem qualquer restrição. Em um dos pontos, próximo aos Arcos da Lapa, a situação se repetiu, com diferentes ambulantes oferecendo o produto de forma irregular. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Farmácia vende sem receita O RJ1 também identificou falhas no controle dentro de farmácias. Em estabelecimentos no Centro e na Zona Sul do Rio, atendentes informaram que a compra poderia ser feita sem receita, bastando indicar a dosagem desejada. Em alguns casos, a comercialização ocorre até por aplicativos de mensagem, com entrega em domicílio e promoções para a compra em maior quantidade — prática que contraria as normas sanitárias. 'Tadala' como pré-treino Nas academias, tem ganhado força uma crença de que a Tadalafila poderia melhorar o desempenho e favorecer o ganho muscular. Especialistas, no entanto, alertam que não há comprovação científica para esse efeito e que o consumo sem orientação médica pode trazer riscos à saúde. Caixa de Tadalafila é oferecida com cigarros e balas Reprodução/TV Globo Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as vendas do medicamento cresceram de forma significativa nos últimos anos. Em 2020, foram comercializadas pouco mais de 21 milhões de caixas no país. Em 2025, esse número saltou para mais de 74 milhões — mais que o triplo em 5 anos. “Nos últimos tempos, essa moda da utilização da tadalafila pelas pessoas que fazem atividade física, especialmente musculação, com a ideia de que a medicação poderia dar um ‘pump’ energético muscular, não encontra respaldo na literatura. Os estudos recentes não mostram essa associação e esse resultado. A utilização sem indicação pode resultar em mais danos que benefícios. Mesmo nessa população de indivíduos saudáveis”, destaca o cardiologista André Casara. Segundo Casarsa, o uso sem indicação pode causar efeitos colaterais como dor de cabeça, vermelhidão no rosto, náuseas e queda de pressão arterial, especialmente em pessoas predispostas. O que dizem as autoridades A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que medicamentos contendo a Tadalafila só podem ser vendidos com a apresentação de uma prescrição médica e que a venda sem ser em farmácias é ilegal. A Anvisa afirmou ainda que o medicamento não tem eficácia comprovada para o ganho de massa muscular e a fiscalização da venda dele é de responsabilidade local. O Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio) disse que inspeciona cerca de 1.200 farmácias por ano no município. O Ivisa informou que as inspeções verificam os produtos comercializados e checam se eles contam com os devidos registros, entre outras questões. O Conselho Regional de Farmácia do RJ afirmou que o medicamento deve ser vendido apenas em farmácias e que a comercialização sem prescrição configura infração sanitária e ética. O conselho ainda reforçou que, em situações mais graves, o uso recreativo pode causar palpitações, queda de pressão e até infarto.

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